Meu Negócio É Arte: nunca é tarde para trabalhar com arte
por Trem Pra FazerCris Leão e Serginho Barbosa são exemplos de sonhos adiados e reinvenção
Aos 81 anos, a contagense Maria do Carmo Prado Trevisan carrega uma certeza: nunca é tarde para recomeçar. Campeã do “MasterChef Mais”, edição voltada para cozinheiros acima dos 60 anos, ela resume a própria trajetória: “Sempre é tempo de começar. Sempre é tempo de ser feliz”. A frase abre o terceiro episódio da temporada “Meu Negócio é Arte”, do Trem Pra Fazer Podcast, e também serve como ponto de partida para uma reflexão sobre sonhos adiados, reinvenção e envelhecimento.
No episódio, duas histórias mostram como a arte pode transformar vidas mesmo depois da aposentadoria. A primeira é a de Cris Leão, mosaicísta que encontrou no trabalho artístico uma nova maneira de existir. Natural de Ribeirão Preto (SP), ela vive em Contagem há décadas e passou grande parte da vida em cargos de liderança no mercado formal. A rotina intensa, marcada por jornadas exaustivas, acabou cobrando um preço alto: estresse, burnout e adoecimento.
Foi somente após deixar o mercado corporativo que Cris descobriu o mosaico. O que começou como um curso virou paixão, profissão e fonte de renda. Hoje, ela produz obras espalhadas por diferentes espaços de Contagem, como a Praça da Jabuticaba, a Escola Municipal Ana Guedes e a Paróquia Jesus Operário. Inspirada por figuras femininas fortes, como Frida Kahlo, Rita Lee e Conceição Evaristo, Cris transforma cacos de azulejo em retratos cheios de personalidade.
“A arte da paciência”. É assim que ela define o mosaico, técnica que exige tempo, precisão e sensibilidade. Mais do que complemento financeiro, o trabalho artístico se tornou uma forma de satisfação pessoal. “O dinheiro vem como gratificação”, resume. Ouça o episódio no Spotify.
O episódio também apresenta a trajetória de Serginho Barbosa. Formado em Contabilidade, ele passou décadas conciliando a vida corporativa com a música. Na juventude, ouviu que artista era “coisa de vagabundo”. Ainda assim, nunca abandonou o violão. Trabalhou em empresas, construiu estabilidade financeira e, paralelamente, investiu na carreira artística.
A aposentadoria marcou a virada definitiva. Hoje, Serginho vive exclusivamente da arte: canta, atua, produz projetos culturais e trabalha como ator em simulações realísticas para estudantes de medicina. Em 2025, celebrou 20 anos de carreira solo.
As histórias de Cris e Serginho mostram que envelhecer não significa desacelerar sonhos. Pelo contrário. Em muitos casos, é justamente depois dos 60 anos que algumas pessoas finalmente encontram liberdade para viver aquilo que sempre desejaram. Confira o episódio no YouTube.
“Meu Negócio É Arte” é a terceira temporada do Trem Pra Fazer Podcast. Os sete episódios inéditos foram contemplados na Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à cultura, a PNAB Contagem, em 2024. A primeira temporada do podcast virou o livro “Contagem da Abóbora À Indústria Cultural”. Clique aqui e saiba mais.