Meu Negócio É Arte: outros caminhos para quem vive de arte
por Trem Pra FazerPara rentabilizar o fazer cultural, artistas estão utilizando ferramentas online
“Outros Caminhos” é o nome do quarto episódio da série “Meu Negócio É Arte”, a terceira temporada do Trem Pra Fazer Podcast. Em um cenário em que viver exclusivamente da produção artística ainda representa um desafio para grande parte dos profissionais da cultura, a produção apresenta histórias de artistas que encontraram novas formas de geração de renda sem abandonar as atividades criativas. A busca por sustentabilidade financeira, a criação de produtos intelectuais e o uso estratégico das ferramentas digitais estão entre os temas centrais abordados na produção.
O episódio parte da experiência do próprio jornalista e escritor Felipe Pedrosa, que transformou os roteiros da primeira temporada do podcast no livro-reportagem “Contagem: Da Abóbora à Indústria Cultural”. A publicação, lançada em janeiro de 2026, passou a representar uma nova fonte de receita ao converter um conteúdo inicialmente gratuito em um produto comercializável. A reflexão serve como ponto de partida para discutir como trabalhadores da economia criativa podem monetizar suas produções.
Entre os exemplos apresentados está a trajetória da atriz, dançarina e pesquisadora corporal Fernanda Signorini. Moradora de Contagem, ela iniciou sua relação com as artes ainda na infância, por meio da dança, e posteriormente encontrou no teatro seu principal campo de atuação. Ao longo dos anos, participou de grupos, espetáculos e movimentos culturais que marcaram a cena artística da cidade metropolitana.
Apesar da dedicação à carreira, Fernanda enfrentou dificuldades comuns a muitos artistas brasileiros: a instabilidade financeira. Mesmo atuando em produções profissionais e cursando Artes Cênicas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela se viu diante da dificuldade de conciliar estudos, trabalho e despesas cotidianas. Em determinado momento, decidiu interromper temporariamente a graduação para repensar seus caminhos profissionais.
Foi então que Fernanda desenvolveu uma metodologia própria de trabalho corporal, baseada em processos de autoconhecimento, expressão e investigação artística. Inicialmente aplicada em atendimentos individuais, a proposta conquistou novas alunas e permitiu que a artista construísse uma fonte de renda independente de convites para espetáculos ou aprovações em editais.
A experiência evoluiu para workshops, mentorias e cursos digitais comercializados pela internet. Com o avanço das plataformas de ensino online, Fernanda passou a vender formações gravadas, alcançando alunos de diferentes regiões do Brasil e do exterior. Atualmente, seus cursos representam uma importante parcela de sua renda e permitem maior autonomia profissional.
A analista do Sebrae Minas, Carla Goob, destaca que o empreendedorismo também faz parte do universo artístico. Segundo ela, muitos profissionais podem transformar não apenas suas obras finais, mas também seus processos criativos, metodologias e conhecimentos em produtos e serviços comercializáveis. Para isso, ressalta a importância da capacitação e do uso estratégico das ferramentas digitais.
O episódio também aborda o papel das redes sociais e da transformação digital na construção de carreiras sustentáveis. Especialistas e artistas entrevistados defendem que plataformas online funcionam como vitrines, portfólios e canais de relacionamento com o público, ampliando oportunidades de divulgação e comercialização.