meunegocioearte | 1 de junho de 2026

Meu Negócio É Arte: quanto vale o fazer artístico e cultural?

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Precificar a arte ainda é um obstáculo para quem é fazedor de cultura

 
 

No sexto episódio da série “Meu Negócio É Arte”, a terceira temporada do Trem Pra Fazer Podcast, intitulado “Quanto Vale?”, uma fala da economista Maria da Conceição Tavares, concedida à emissora portuguesa RTP em 1987, serve como ponto de partida para uma reflexão sobre o valor econômico da arte e da cultura. Na entrevista, que voltou a circular recentemente nas redes sociais, ela defendia que arte, cultura e criatividade poderiam se tornar importantes fontes de trabalho no século XXI. Décadas depois, os números indicam que a previsão se concretizou.

Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a indústria criativa movimentou mais de R$ 393 bilhões em 2023, o equivalente a 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O setor também registrou crescimento de 6,1% nos empregos formais, índice superior ao avanço geral do mercado de trabalho. O estudo considera áreas como cultura, mídia, tecnologia e consumo.

Apesar da relevância econômica, especialistas apontam que muitos profissionais da cultura ainda enfrentam dificuldades para transformar talento em sustentabilidade financeira. Para a gestora cultural Deisy Castro, a profissionalização é um passo fundamental. Ela defende que artistas compreendam que seu trabalho também é um negócio e que a atividade cultural precisa gerar estabilidade para quem a realiza.

Questões como precificação, planejamento e gestão financeira aparecem como desafios recorrentes. Deisy destaca que muitos artistas ainda não consideram custos básicos na formação de preços, como transporte, alimentação, horas de treinamento e investimentos em equipamentos. Ao mesmo tempo, ela chama atenção para a necessidade de a sociedade reconhecer a arte como trabalho e valorizar financeiramente a produção cultural.

O músico, produtor e gestor cultural Ricardo Ulpiano é um exemplo de quem construiu uma trajetória baseada nessa visão. Natural da periferia de Contagem, ele decidiu ainda criança que viveria de música. Ao longo da carreira, atuou em bandas cover, criou projetos autorais, estudou gestão de carreiras e ampliou sua atuação para áreas como produção cultural, ensino e empreendedorismo. Para ele, sobreviver da arte sempre exigiu compreender a música como um produto capaz de gerar renda.

A artista e empreendedora Fernanda Signorini defende a importância de desenvolver habilidades de comercialização. Segundo ela, vender arte não significa abandonar valores criativos, mas aprender a comunicar de forma humanizada o impacto do trabalho realizado. Em sua experiência, compreender as necessidades do público foi essencial para ampliar o alcance dos projetos e aumentar a sustentabilidade financeira da carreira.

A discussão sobre valor também aparece nas artes visuais. A artista Zi Reis explica que a precificação de uma obra envolve custos de materiais, tempo de execução, experiência profissional e histórico de circulação da peça em exposições e veículos de comunicação. Já a mosaicista Cris Leão destaca que equipamentos especializados e matérias-primas elevam os custos de produção, tornando inviável a prática de preços incompatíveis com a realidade do trabalho.

Especialistas do Sebrae Minas observam que muitos artistas ainda enfrentam dificuldades para enxergar sua produção como um empreendimento. Planejamento, organização financeira, reserva de recursos para períodos de menor demanda e formalização do negócio são apontados como etapas importantes para garantir longevidade às carreiras.

Mais do que uma atividade ligada à inspiração, a arte contemporânea exige gestão, estratégia e visão de mercado. Em um setor que movimenta bilhões de reais e gera milhares de empregos, a pergunta sobre quanto vale a arte encontra respostas que vão muito além da subjetividade: ela envolve trabalho, conhecimento, investimento e capacidade de transformar criatividade em sustento.



Confira os outros episódios da série “Meu Negócio É Arte”. A temporada está 100% disponível no Spotify e no YouTube.

   

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