Meu Negócio É Arte: a construção de mundos possíveis é agora
por Trem Pra FazerTrabalhar por um mundo mais diverso, humano e igualitário não é uma utopia
No episódio “Mundos Possíveis”, que encerra a série “Meu Negócio é Arte”, produzida pelo Trem Pra Fazer Podcast, artistas, produtores culturais, pesquisadores e empreendedores compartilham reflexões sobre futuro, pertencimento, diversidade e transformação social. Ao longo da série, que reuniu mais de quatro horas de entrevistas em seis episódios anteriores, uma ideia atravessou todas as conversas: a possibilidade de construir uma sociedade mais justa por meio da cultura.
As diferentes vozes ouvidas no episódio convergem para uma mesma direção. Para a analista do Sebrae Minas, Nayara Bernardes, um mundo possível é aquele que valoriza as características únicas de cada território. A artista Zi Reis sonha com uma sociedade que reconheça a importância dos agentes culturais em suas comunidades, enquanto Michelle Chalub defende um ambiente em que empreendedores possam realizar seus sonhos e prosperar em seus negócios. Já a fotógrafa e produtora cultural Lígia Morase acredita que o acesso à formação é um dos caminhos para democratizar a produção e o consumo de arte.
Entre os exemplos apresentados está a exposição “Efeito de Cor”, realizada pelo Coletivo Espiralar. A iniciativa reúne fotógrafos negros interessados em construir representações produzidas a partir de seus próprios olhares. Segundo Lígia, o projeto busca reparar ausências históricas e combater estereótipos, especialmente aqueles relacionados às mulheres negras. A artista também destaca a importância de criar oportunidades para novos profissionais, fortalecendo uma rede capaz de ampliar trajetórias e gerar visibilidade para talentos emergentes.
A valorização de pessoas frequentemente invisibilizadas aparece na trajetória da mosaicista Cris Leão. Em um curso voltado para mulheres em situação de vulnerabilidade e egressas do sistema prisional, ela testemunhou como a arte pode abrir caminhos para autonomia financeira e reinserção social. Na mesma direção, o músico Serginho Barbosa relata que faz questão de oferecer espaço para artistas em início de carreira, atitude inspirada pelas dificuldades que enfrentou quando buscava oportunidades para se apresentar.
Outro eixo importante do episódio é a reflexão sobre identidade e autenticidade. A pesquisadora Fernanda Signorini defende a necessidade de uma reconexão entre as pessoas e suas próprias histórias, memórias e origens. Para ela, o excesso de padrões e modelos impostos pela sociedade afasta os indivíduos de sua essência. A relação com a natureza, segundo a pesquisadora, é uma ferramenta fundamental para recuperar essa conexão e construir formas mais orgânicas de existir.
O episódio também discute a força das redes de apoio. Zi Reis relembra a criação do Ateliê Pé Vermelho, espaço colaborativo que passou a reunir artistas, produtores e coletivos em atividades culturais diversas. A iniciativa reforça uma ideia compartilhada por vários entrevistados: nenhum artista prospera sozinho. O fortalecimento mútuo, seja por meio da contratação de profissionais, da compra de produtos culturais ou da oferta de formação, aparece como elemento essencial para o desenvolvimento do setor.
Os entrevistados apontam que a construção de mundos possíveis passa pela valorização do trabalho cultural, pela diversidade, pela igualdade de oportunidades e pelo reconhecimento da arte como direito fundamental. Mais do que um exercício de imaginação, o episódio sugere que o futuro começa a ser desenhado pelas escolhas realizadas no presente. Para os participantes da série, cada oportunidade criada, cada rede fortalecida e cada expressão artística valorizada representa uma semente plantada em direção a uma sociedade mais humana, inclusiva e transformadora.
Confira os outros episódios da série “Meu Negócio É Arte”. A temporada está 100% disponível no Spotify e no YouTube.