Agenda | 23 de setembro de 2025

Kilombo Família Souza: oficinas perpetuam o saber ancestral

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Oficinas de bambuzeria têm vagas esgotadas em menos de 24 horas

 
 

No coração do bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, o Kilombo Família Souza vai transmitir gratuitamente um conhecimento que atravessa séculos. As oficinas de bambuzeria extrapolam a ideia de curso de capacitação para se tornarem o ritual de continuidade de um saber ancestral que une tradição, sustentabilidade e geração de renda.

Com inscrições esgotadas em menos de 24 horas, a atividade revela mais do que um aprendizado de técnicas, mas um mergulho em valores coletivos, no respeito à natureza e na construção de maior autonomia econômica, que traz o bambu como matéria-prima abundante e renovável. A oficina foi viabilizada pelo edital da PNAB (MG).

A oficina na sede do Kilombo Família Souza será conduzida pelo mestre bambuzeiro Marcos Antônio Abranches, quilombola de 54 anos. Após quase três décadas dedicadas à metalurgia, ele foi surpreendido pelo desemprego pouco antes da aposentadoria. Nesse momento de ruptura, encontrou na bambuzeria um caminho de reconstrução.

“Diante do desemprego, encontrei na bambuzeria uma forma de reconstruir minha trajetória com dignidade e respeito à minha ancestralidade.” Agora, quero compartilhar esse caminho com outras pessoas que também precisam recomeçar.”

Marcos Antônio Martins Abranches, mestre bambuzeiro

O público escolhido para a formação reflete essa preocupação do mestre. São pessoas em situação de desemprego que terão, ao longo de 12 horas de atividades, acesso a práticas de produção de peças utilitárias e artesanato. Mas, acima de tudo, elas terão contato com um modo de vida que transforma memória em futuro.


Além de Marcos Abranches, as oficinas contam com os ensinamentos de Suely Correia, que também é bambuzeria. Ela, que é casada com Marcos, fortalece o caráter coletivo do trabalho. Juntos, eles transmitem as técnicas ancestrais.

“O sucesso das inscrições mostra que existe uma demanda real por iniciativas como essa, e que precisamos ampliar esse alcance.”

Gláucia Cristine Martins de Araújo Vieira, liderança do Kilombo Família Souza

No Kilombo Família Souza, cada peça criada em bambu carrega a memória de antepassados e ainda projeta caminhos para o futuro. O que nasceu como uma oficina gratuita se revelou como um gesto de resistência cultural, reafirmando a força dos saberes afro-brasileiros e seu papel transformador na sociedade.


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