Agenda | 13 de julho de 2026

Espetáculo ‘Transborda’ protagoniza artistas com deficiência

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Montagem do Instituto Cultural CircoLar pode ser vista no sábado (18), às 16h, no Galpão Cine Horto

 
 

O circo desafia os limites. No espetáculo “Transborda”, no entanto, o maior salto acontece antes de o artista subir no palco. A montagem, que estreia no dia 18 de julho, às 16h, no Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto), em BH, muda a perspectiva ao colocar artistas com deficiência no centro do processo criativo, transformando a acessibilidade em parte da própria linguagem.

A montagem reúne números de trapézio, tecido, lira, malabares e acrobacias em uma narrativa construída a partir das vivências de Ana Cris Pimenta, Gabriel Aquino e Naty Cândido, protagonistas da esquete de circo contemporâneo desenvolvida junto ao ICC – Instituto Cultural CircoLar. A entrada é gratuita mediante a retirada de ingressos no Sympla.

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De acordo com Letícia Oliveira, a proposta foi construir uma obra que contemplasse diferentes corpos, experiências e formas de perceber o mundo. “O projeto nasce da inquietação e do desejo de que todos os corpos ocupem todos os lugares, sendo a definição de quais lugares são esses uma escolha da própria pessoa, e não uma condição imposta pela falta de oportunidades”, explica.

Foi essa proposta que inspirou o nome da montagem, conforme revela Deisy Castro. “Transborda deriva da ideia de ultrapassar as bordas, exceder limites e expandir possibilidades. O espetáculo simboliza o rompimento de barreiras físicas, sociais e atitudinais que historicamente limitaram a participação de pessoas com deficiência nas artes”, afirma.

“Transborda”, projeto contemplado no Edital FEC 08 040825 – Minas em Cena (Protocolo: 2025.2508.00570, é resultado de uma pesquisa iniciada em abril de 2026, quando os artistas foram selecionados para participar de uma imersão gratuita em técnicas circenses. Ao longo de dois meses, eles experimentaram diferentes modalidades, participaram da construção da dramaturgia.

“Nos primeiros encontros, professores e participantes vivenciaram diferentes modalidades circenses, equipamentos e técnicas para identificar os lugares de conforto, os desejos de experimentação, os desafios e as potencialidades de cada corpo. Só depois começamos a construir propostas específicas. A dramaturgia surgiu das vivências, das experimentações e das trocas realizadas no processo.”

Lucas Castro, diretor técnico

Para a dançarina e cadeirante Naty Cândido, o processo a fez descobrir possibilidades. “É uma experiência incrível, de conhecer novas possibilidades do meu corpo e dos espaços”, revela. Gabriel Aquino, que é artista com deficiência visual, o trapézio parecia impossível. “Me colocou nesse lugar novo com meu próprio corpo. Isso foi muito, muito legal para mim. Me deu uma confiança muito grande. Eu lembro de uma das primeiras vezes em que fiquei na frente do trapézio e pensei: ‘Eu não faço. Como é que meu corpo vai subir aqui? Não existe esse movimento!’. Hoje isso já está natural”, confessa.

Ana Cris Pimenta, artista surda oralizada, intérprete e professora de Libras na Uai Libras, também viu as próprias percepções mudarem ao longo da formação. “Eu tive muito interesse em aprender. Você olha e pensa: ‘Será que eu consigo fazer isso? Será que uma pessoa com deficiência tem capacidade de fazer circo?’. Eu pensava assim. Hoje eu posso dizer: consegue! Lembro de quando falava isso e agora estou conseguindo fazer exatamente aquilo que parecia impossível”, conta.

Além de intérpretes de libras e audiodescrição, a apresentação contará com espaços reservados para pessoas com deficiência. Para o CircoLar, “Transborda” representa um marco. “Embora seja o primeiro projeto destinado especificamente ao protagonismo de artistas com deficiência a conquistar recursos para sua realização, a acessibilidade já faz parte da história do Instituto. Agora, damos um passo além ao colocar esses artistas no centro do processo criativo. O projeto demonstra que arte e inclusão são indissociáveis quando a acessibilidade é compreendida como parte da criação, e não apenas como adaptação”, afirma Kênia Silva.

“Transborda”
Data: 18 de julho de 2026 (sábado) – 16h
Local: Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto) – BH
Classificação: Livre
Ingressos: Gratuitos (retirada pelo Sympla)


ALÉM DO ESPETÁCULO “TRANSBORDA”

A apresentação de “Transborda” faz parte da ocupação que o Instituto Cultural CircoLar realiza no Galpão Cine Horto entre os dias 17 e 19 de julho. A programação começa na sexta-feira (17), às 20h, com o espetáculo “Metamorfoses”, inspirado na obra do filósofo Emanuele Coccia e que marca a formatura de artistas do curso de formação profissional da instituição.

No domingo (19), às 13h, o público poderá assistir “Travessias”, que reúne números circenses inéditos e autorais desenvolvidos pelos estudantes ao longo do semestre. Confira todos os detalhes em uma reportagem especial. Clique aqui e confira!

   

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